Memorial Profissional

Sou psicóloga formada pela Universidade Gama Filho – Universidade Gama Filho/Rio de Janeiro, com Licenciatura em Psicologia e Psicologia Clinica no período de 1973 a 1978.

Iniciei minha trajetória profissional no âmbito privado, atuando na área clinica atendendo em consultório particular. Sou pós-graduada em psicanalítica, pela Escola Argentina com mestres qualificados e reconhecidos internacionalmente. Fiz esta formação no IBRAPSI-Instituto Brasileiro de Psicanálise Grupos e Instituições, no período de 1979 a 1984. Esta formação permitiu-me um conhecimento de análise institucional e social como também um aprendizado em práticas grupais e atendimentos em análise individual.

Em 1984, ingressei no serviço público federal com o cargo de psicóloga, iniciando minha trajetória de servidora, atuando num complexo hospitalar pertencente ao Ministério da Saúde na cidade do Rio de Janeiro - Centro Psiquiátrico Pedro II (CPPII). Lotada no Hospital Gustavo Riedel no CPPII, atuei como psicóloga em duas enfermarias, sendo uma de pacientes masculinos (quarenta leitos), outra de pacientes femininos (quarenta leitos). Durante um ano trabalhei na assistência asilar ficando envolvida diretamente com a "dita loucura" e deparei-me com a realidade da pobreza em vários aspectos: o financeiro e a ignorância do indivíduo em relação aos seus direitos de cidadão, contudo ainda marcados pelo estigma  da loucura. Percebi o tão pouco que se podia fazer naquela época, porque atrás da "doença mental" se escondia um sistema doente. Mas mantinha "as mãos na massa" buscando uma maneira de melhor desempenhar meu papel de psicóloga, criando saídas para aliviar a dor do outro.

Nesta época, já se iniciava um movimento técnico político de compreender a loucura num sentido que ultrapassava o ato médico, necessitando, portanto, de outro olhar e não só a visão médica: assim começa o   trabalho multidisciplinar para uma política de saúde mental.

Entrei para uma nova fase de atuação na instituição passando para um trabalho político - assistencial, coordenando o serviço de psicologia no CPPII, ordenando com os psicólogos uma reflexão sobre a prática asilar; normatizando a atuação do psicólogo; reformulando propostas para uma política de saúde que incluísse uma nova visão das praticas assistências.

Participei de grupos de trabalhos que investiam na ressocialização de pacientes denominados “agregados” que por problemas sociais não tiveram alta hospitalar e funcionavam como mão de obra gratuita sem nenhuma ação terapêutica. Baseado nestes estudos se criou um programa numa abordagem conceitual semelhante ao existente na Colônia Juliano Moreira, com as devidas adaptações para o CPPII. Neste período já se pensava na reforma psiquiátrica e o CPPII foi pioneiro desde sua prática na Comunidade Terapêutica,  que abriu caminhos para novas  formas de se pensar sobre a saúde mental.

Lidei com conflitos institucionais: reflexo da macro - política de saúde no sistema hospitalar; mudanças ministeriais interferindo na política da instituição, tanto técnica como administrativa; mudanças de diretores;

Participei da proposta de implantar e organizar os congressos internos do CPPII que ocorriam a cada dois anos, onde se discutiam tomadas de decisão  na área técnica, administrativa e eleição de diretores para o CPPII. Aconteciam assembléias e fóruns deliberativos dos quais fui delegada representando a Unidade do Ambulatório Central de Adultos, sempre mantendo uma postura ética com princípios baseados na boa qualidade do serviço publico.

Retorno para a atividade ligada diretamente ao paciente como psicoterapeuta no Ambulatório Central de Adultos do CPPII. Também atuando como supervisora de estágio curricular de psicologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), através do convênio com o Centro de Estudos do CPPII. Outra função foi de Coordenadora Técnica do Ambulatório Central.

Trabalhei como preceptor do Programa de Residência de Saúde Mental em parceria com a Fiocruz ; realização de seminários clínicos; trabalhos com grupos psiquicoterápicos e grupos operativos.

Desenvolvi trabalhos científicos, realizei palestras em várias instituições com a intenção de levar para mais pessoas a reflexão e o pensamento de uma mudança de paradigma sobre "o que é a doença e a pessoa que adoece". Paralelamente ao meu trabalho na instituição CPPII, como psicóloga, fiz formação em terapia alternativa, Cinesiologia Aplicada – Tree in one Concepts – criadores: Gordon Stokes e Daniel Whiteside – ampliação e integração dos hemisférios cerebrais (direito e esquerdo), trabalhando nas correções das tensões emocionais (estresse) utilizando exercícios especifico numa abordagem psiconeurológica.

No total trabalhei 15 anos no CPPII e ocupei, nesta trajetória, funções de coordenação em trabalhos técnico/políticos e assistenciais; fui Coordenadora do Serviço de Psicologia, como também a Coordenadora Técnica da Unidade Ambulatorial. Adquiri uma experiência institucional somada com estudos e práticas nos 24 anos de profissão, que me permitiu transpor novos horizontes, recebendo proposta que possibilitou reconhecer Brasília como sendo o lugar de novas oportunidades no âmbito profissional.

Por realizar um trabalho de ponta num ambulatório de  portas abertas para a comunidade, posso identificar como se dá esse processo saúde /doença de uma assistência tradicional que vê a doença e não uma clientela carente e sofrida  pela falta de informações acarretando ignorância gerando adoeça. Neste trabalho de ponta permitiu pesquisar sobre modelos clínicos que incluem o contexto familiar e social, constatando a necessidade de mudança de paradigma em relação à compreensão de saúde / doença.

Em Brasília a partir do ano 2000 iniciei uma nova fase na Coordenação de Planejamento e Desenvolvimento  de Recursos Humanos – CODER/CGRH no Ministério da Saúde/DF. Desenvolvi oficinas de sensibilização, treinamentos, focando a qualidade de vida dos servidores (nível de estresses interferindo na qualidade do trabalho) utilizando nesta abordagem conceitos de analise institucional. Outra ação significativa em projetos relacionados à “Promoção das Ações do Gênero na Função Pública”, sendo um espaço para reflexão, auxiliando mulheres e homens para  repensarem  sobre sua inserção no mundo em novas concepções, trabalhando a questão do gênero enquanto sujeito isto é: focar as ações do gênero em qualidade de vida.

Em março de 2002 fui chamada para assessorar a Coordenadora Geral de Desenvolvimento, Normatização e   Cooperação Técnica do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde do Ministério da Saúde, para desenvolver projetos que atuariam no processo de auto-aprendizado contínuo e nas relações interpessoais da organização, para o aperfeiçoamento e treinamento de auditores do Sistema Único de Saúde para integração do sistema nacional de auditoria, reformulação da prática na atuação do  auditor, propondo mudanças de paradigmas, numa abordagem multiprofissional.

Com as mudanças ministeriais e governamentais com a posse do Presidente Lula,  recebi um convite para trabalhar na Presidência da Republica  na Secretaria Nacional Antidrogas – SENAD na Diretoria de Política Estratégica, que servi durante um ano, obtendo uma boa experiência neste campo.

Retornei ao Ministério da Saúde em fevereiro de 2004 para a Coordenação de Assistência ao Servidor (CAS) ligada a Coordenaçāo Geral de Recursos Humanos (CGRH). Trabalhei no Programa de Prevenção e Promoção da Saúde, atuando com grupos focalizando o tema “Dedicação sem Estresse” para os funcionários e no Programa de Preparação para Aposentadoria.

Neste fluxo institucional como servidora pública outra reviravolta aconteceu, pois retorno ao Estado do Rio de Janeiro para executar outro desafio: trabalhar no Centro de Atenção Psicossocial/CAPS da cidade de Nova Friburgo em agosto de 2005. Este momento significa retomar o que havia deixado “o movimento da reforma psiquiátrica”.  Agora a reforma da psiquiatria é um fato e os CAPS representam uma nova concepção da clinica da psicose.

Entrelaçando todos estes caminhos profissionais sempre esteve presente uma vocação de psicoterapeuta, realizando uma clinica em consultório particular como psicanalista, terapeuta floral e cinesiologista. Contudo sempre fiquei envolvida com grupos de estudos e pesquisa: em ciências humanas, em holística, em filosofia, em mitologia.

É importante sinalizar que desde 1997 tenho incluído nos meus trabalhos, tanto a nível público como privado, conceitos e práticas da teoria da ciência do sentir desenvolvido por Maria Beatriz Breves Ramos. Conseqüentemente, este é um momento histórico para eu acenar a satisfação de pertencer como membro fundadora do Centro de Pesquisa e Estudos da Ciência do Sentir – CPECS e dirigir o Núcleo das Concepções Filosóficas & Culturais e coordenar o Departamento Mitos e Ritos.